Os chilenos viveram um dia de pânico no último dia 11, quando três réplicas --tremores secundários-- consecutivas, a maioria delas com magnitude 6,9, atingiram a região central do país. Especialistas alertam, contudo, que o terremoto de magnitude 8,8 que atingiu o Chile no último dia 27 de fevereiro causará réplicas por meses e até anos e a pior delas, de magnitude maior que 7, ainda estaria por vir.

"Em um grande terremoto como o do Chile, uma grande réplica pode ocorrer até mesmo um ou dois meses depois", afirma Dean Whitman, geólogo da Universidade Internacional da Flórida (EUA), que estuda a e estrutura e as características tectônicas do platô Andino, onde ficam Chile, Argentina e Bolívia.
Whitman cita como exemplo o terremoto de 8,9 graus na escala Richter que atingiu a Indonésia em 26 de dezembro de 2004. O terremoto, que causou um tsunami devastador no Sudeste Asiático, teve uma réplica em 28 de março de 2005 de 8,7 graus na escala Richter e que deixou 518 mortos.
"Nestes casos, podem até mesmo ser consideradas um tremor separado, já que ocorrem em outra parte da falha tectônica que foi movida durante o tremor inicial".
As réplicas acontecem após terremotos como parte do movimento de "reacomodação" das placas tectônicas que, ao raspar ou se chocar, causaram o terremoto inicial. Como muita energia é liberada, especialmente em terremotos de grande magnitude como o do Chile, é comum que outras partes da mesma falha --a fronteira entre duas placas tectônicas-- sofram abalos sísmicos de grandes proporções.
Entenda como ocorre um terremoto
A réplica maior de um tremor, afirma o geólogo David Oglesby, especialista em terremotos da Universidade da Califórnia (EUA), costuma ser de 1 ou 1,5 unidade de magnitude menor que o terremoto principal. Assim, o Chile estaria suscetível a uma réplica de magnitude superior a 7.
Oglesby e Whitman ressaltam, assim como outros especialistas consultados pela Folha Online, que as chances de uma réplica de grande magnitude diminuem com o passar do tempo.
"É possível, mas improvável", diz Whitman, ressaltando que grandes réplicas costumam ocorrer um ou dois dias após o terremoto principal.
Após as réplicas, que não causaram vítimas mas assustaram até os presidentes sul-americanos que participaram da posse do presidente chileno, Sebastián Piñera, Oglesby alerta que, mesmo diante da possibilidade remota, "as pessoas devem estar preparadas".
"Estas estimativas são feitas com base em observação de terremotos em todo o mundo, ao longo da história. Mas não há um padrão obrigatório, não significa que este terremoto precise necessariamente ter uma réplica desta magnitude", explica Oglesby.
Fonte: Folha Online








