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EUA e França defendem novas sanções contra Irã por urânio

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O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, e o ministro de Defesa da França, Hervé Morin, defenderam nesta segunda-feira novas sanções da ONU sobre o Irã após o anúncio de que vai fabricar urânio altamente enriquecido em seu próprio território.

O anúncio viola as resoluções da Organização das Nações Unidas, vai contra acordo nuclear debatido com potências ocidentais e aumenta temores de que Teerã mantenha programa secreto de fabricação de armas --como reiteraram EUA e França nesta segunda-feira.

"Temos que encontrar uma forma pacífica de resolver esta questão. O único caminho que nos restou, neste ponto, me parece ser o caminho da pressão. Mas isso exigirá que toda a comunidade internacional aja junto", ressaltou Gates, após uma reunião com Morin em Paris.

O ministro francês, por sua vez, ressaltou que "toda a comunidade internacional tentou estabelecer condições de diálogo durante meses" com o Irã, embora "não se tenha conseguido nada". "Infelizmente, será necessário um diálogo internacional que conduzirá a novas sanções".

O chanceler francês, Bernard Kouchner, também endureceu o tom e disse que o mais recente anúncio iraniano é chantagem e exige sanções da comunidade internacionais.

"Esta é uma verdadeira chantagem. É muito negativo", disse Kouchner a um grupo de jornalistas. "A única coisa que podemos fazer é aplicar sanções, dado que as negociações são impossíveis".

Kouchner reconheceu, contudo, que não será fácil aprovar um novo pacote de sanções, já que depende do apoio de todos os países membros permanentes do Conselho de Segurança --China, Rússia, EUA, França e Reino Unido.

Segundo o ministro francês, a China, que declarou recentemente ainda defender um diálogo, precisa ser convencida da necessidade de medidas mais duras.

A Rússia também se mostra reticente quanto a novas sanções. O chefe do Comitê de Relações Exteriores da Câmara Baixa do Parlamento russo, Konstantin Kosachyov, pediu, contudo, que a comunidade internacional prepare sérias medidas em resposta.

Kosachyov disse ainda que o fortalecimento das sanções econômicas internacionais deve ser considerada, segundo a agência de notícias Interfax.

A Alemanha também citou a ameaça de sanções, enquanto o Reino Unido disse que os novos planos do Irã violam resoluções da ONU e que está preocupado com o anúncio.

Plano

A AIEA, agência nuclear da ONU, vem trabalhando em um acordo para diminuir as tensões internacionais sobre o programa nuclear iraniano. Em outubro, a ONU propôs que Teerã exportasse seu urânio pouco enriquecido para a Rússia e a França, que iriam devolvê-lo um ano mais tarde, como barras de combustível mais enriquecido, que poderia ser utilizado para alimentar o reator nuclear de pesquisa, mas não poderia ser mais refinado para fazer material bélico.

Ao anunciar que o Irã enriquecerá o combustível por conta própria, Ahmadinejad perece ter rejeitado o acordo, o mesmo que ele parecia aprovar na semana passada.

O Irã quer enriquecer seu estoque de urânio para 20%, acima dos atuais 3,5%, para alimentar um reator de pesquisa para produzir isótopos médicos. Mas a comunidade internacional exigiu a suspensão de todas as atividades de enriquecimento, pois o mesmo processo é usado para produzir grau de material bélico, suscetível de utilização em bombas.

Estratégia

Apesar das declarações, o Irã negou mais cedo que a decisão de começar a enriquecer urânio a 20% em seu próprio território feche a porta para o acordo com as potências ocidentais para o envio de urânio a 3,5% para enriquecimento em solo estrangeiro.

"Nossa proposta continua vigente e estamos dispostos a receber o combustível, e quando o recebermos cessaremos o enriquecimento a 20%", declarou Ali Akbar Salehi, diretor da Organização Iraniana de Energia Atômica (OIEA).

Segundo Salehi, a carta entregue à AIEA assegura que o projeto se iniciará "na presença dos inspetores internacionais" na central de Natanz, onde o Irã supostamente tem cerca de 7.000 centrífugas.

A decisão de iniciar a produção de urânio altamente enriquecido foi anunciada também no domingo pelo presidente Ahmadinejad. O próprio presidente afirmou que a decisão não significa que tenha sido desprezada a opção do diálogo.

Analistas dizem que os sinais contraditórios de Teerã podem significar uma estratégia iraniana para fortalecer sua posição antes de negociar efetivamente um acordo nuclear com as potências ocidentais. Eles dizem que Ahmadinejad poderia tentar garantir um acordo relativamente vantajoso com a comunidade internacional como forma de fortalecer seu novo mandato, iniciado sob dúvidas de legitimidade e com duros protestos da oposição por fraude.

O movimento, contudo, pode acabar prejudicando ainda mais o Irã ao fortalecer a ala da comunidade internacional que pede mais sanções ao Irã, quinto maior produtor de petróleo.

Fonte: Folha Online

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Sexta-feira, 03 de Setembro de 2010
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