O novo presidente da Abeiva (Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores), José Luiz Gandini, defende uma redução do Imposto de Importação de 35% para 20%. "Pretendemos atuar junto ao governo para diminuir a distância entre os carros com e sem alíquota de importação", disse, lembrando que as unidades que vêm da Argentina e do México têm alíquota zero. "É muito difícil competir num país assim", completa.
Para o câmbio, a previsão da Abeiva é que o dólar feche o ano valendo em torno de R$ 1,87. A entidade representa cerca de 13% do mercado de importados no Brasil --os números não consideram as importações feitas por montadoras que têm fábrica no país e são representadas pela Anfavea.
"O importado não está atrapalhando o país. Estamos gerando emprego, recolhendo imposto", disse, calculando em R$ 2 bilhões o total de tributos que será pago neste ano, sendo R$ 541 milhões de Imposto de Importação e R$ 636 milhões de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).
As unidades importadas dos Estados Unidos ainda correm o risco de ter a alíquota elevada de 35% para 50% a partir de abril, já que veículos entrou na lista de retaliação ao país devido aos subsídios pagos pelo governo norte-americano à produção local de algodão.
A Abeiva tem atualmente 22 associados: Aston Martin, Audi, BMW, Chana, Chery, Chrysler, Dodge, Effa Changhe, Effa Hafei, Hafei Motor, JAC, Jaguar, Jeep, Jinbei, Kia Motors, Land Rover, Pagani, Porsche, Spyker, SsangYong, Suzuki e Volvo. Desses, apenas BMW e Jeep seriam prejudicadas com a medida se entrar em vigor.
Segundo Philip Derderian, diretor geral de Chrysler, Dodge e Jeep no país e novo diretor financeiro da Abeiva, o valor dos carros da Jeep deve ficar entre 10% e 12% mais caro com a retaliação aos EUA.
No início do mês, a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) divulgou nota em que afirmava ser preocupante o fato de o governo brasileiro ter incluído automóveis na lista. "A Anfavea defende soluções sem reflexos negativos para o setor automotivo."
Desempenho
As vendas de veículos das montadoras que fazem parte da Abeiva tiveram aumento de 6,9% em fevereiro (5.422 unidades) no confronto com o mês anterior. Já no comparativo com o mesmo período em 2009, quando o desempenho dos licenciamentos foi afetado pela crise econômica mundial, o crescimento foi de 170,8%.
No primeiro bimestre (10.495 unidades), a expansão alcançou 168,7%, em relação a igual intervalo no ano passado. Os dados levam em conta o desempenho das atuais 22 associadas da Abeiva. Ao considerar somente as 14 marcas que faziam parte da entidade em fevereiro de 2009, o crescimento nos dois primeiros meses deste ano foi de 141,1%, com o emplacamento de 9.419 veículos.
A previsão da Abeiva é terminar 2010 com a venda de 80 mil unidades no atacado, o que representaria um crescimento de 69% no confronto com 2009. Se o desempenho se confirmar, as importações devem retomar os patamares de 1994. A projeção é de lançamento de 37 novos modelos ou reestilizações ainda neste ano.
Até dezembro, a rede de concessionárias deve subir de 370 para 460, e a quantidade de empregos diretos passar de 8.200 para 9.800.
Fonte: Folha Online







