Software insiste em “Lei de Informática” para o setor
Os incentivos fiscais e tributários concedidos aos desenvolvedores de software são escassos por deficiência estrutural das polÃticas governamentais e também porque há uma fraca mobilização das próprias empresas interessadas. Esse foi o tom que marcou a solenidade de abertura do RioInfo 2008, nesta terça-feira, no Hotel Glória, no Rio de Janeiro.
O coordenador do evento, Benito Paret, postulou a criação de uma tributação, mesmo que pequena, para os softwares internacionais vendidos no PaÃs. “Temos que parar de ver esse modelo como pejorativo. Todos os paÃses têm regras favoráveis à s suas empresas. Aqui não usamos isso porque logo se discute reserva de mercado. Não é isso que defendo, em hipótese alguma”, afirmou Paret.
O presidente da Totvs, Laércio Cosentino, adotou uma postura mais cautelosa. Ele admitiu que, hoje, há apenas um incentivo para as desenvolvedoras interessadas em explorar o mercado interno: a Lei de Inovação. Segundo Cosentino, o Governo pode privilegiar as soluções nacionais nos processos licitatórios. “Não é reserva, é dar garantia de competitividade”, declarou.
O secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Alexandre Cardoso, representou o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, na solenidade. Após ser cobrado, oficialmente, por Benito Paret, de que o setor de software precisa de uma polÃtica mais efetiva de incentivos para que o Rio de Janeiro possa vir a recuperar o seu lugar no mercado nacional de produção de soluções e aplicativos, Cardoso observou que são poucos os empresários de TICs que conhecem, por exemplo, os vereadores, que são os legisladores dos municÃpios.
“O setor pede a redução do ISS (Imposto sobre Serviço) para 2% há tempos. O projeto está na Câmara de Vereadores e não anda. Mas quantos daqui conhecem os vereadores atuais? Quantos daqui já sabem em quem vão votar no próximo domingo, dia 5? A verdade é que, nessa luta por uma estratégia única para TICs, todos têm de desempenhar seus papéis”, afirmou Cardoso durante a solenidade.
Sérgio Cabral enviou um vÃdeo para ser exibido no evento. Nele, o governador repetiu sua tese para a área de TICs. “O Rio de Janeiro é software. São Paulo é hardware. Temos que atrair o conhecimento, o desenvolvimento de aplicação para o nosso Estado, e essa é uma polÃtica minha de governo”, declarou.
Em sua palestra, que abriu oficialmente o RioInfo 2008, o presidente da Totvs, Laércio Cosentino, disse que o setor de software precisa parar um pouco de reclamar. “Temos de nos estruturar, formalizar nossos negócios, deixar de acreditar que não é possÃvel”, afirmou, lembrando que a Totvs cresceu porque apostou nos processos de governança. “Foi a partir daà que conseguimos ter suporte para o nosso crescimento.”
No entanto, Cosentino observou que, de fato, não há uma polÃtica de compras governamentais que privilegie as empresas nacionais. “Grandes companhias como Correios, Petrobras e Furnas compraram pacotes de gestão de empresas estrangeiras. Paciência, é do jogo. Mas temos que criar regras que nos permitam, ao menos, disputar. Isso acontece em qualquer lugar do mundo. As empresas locais têm força expressiva”, reforçou.
Com relação à proposta de Benito Paret, de uma tributação menos que pequena para os softwares internacionais, o presidente da Totvs é bastante reticente . “Estamos em um mundo globalizado. Se fizermos isso, outros paÃses vão achar-se no direito de fazer também. Acredito que é preciso uma legislação própria de incentivo, mas que envolva a produção e o fortalecimento da área”, concluiu Cosentino.
Fonte:Terra


