Líder taleban nega acusações de que participou de assassinato de Bhutto

O porta-voz do líder taleban paquistanês Baitullah Mehsud negou neste sábado que o grupo fundamentalista estivesse envolvido no assassinato da ex-premiê e líder oposicionista Benazir Bhutto, nesta quinta-feira (27). O governo paquistanês acusou o Taleban de estar por trás do atentado.

O porta-voz do líder qualificou as acusações como “propaganda governista”. “Nós repudiamos fortemente [as acusações]. Baitullah Mehsud não está envolvido na morte de Benazir Bhutto”, afirmou Maulana Mohammed Umer à Associated Press. Segundo autoridades do Paquistão, o líder taleban do leste do país é também ligado à rede terrorista Al Qaeda.
Nesta sexta-feira, o governo paquistanês afirmou ter evidências de que o Taleban e a Al Qaeda estavam por trás do assassinato.

Bhutto foi assassinada logo após participar de um comício de campanha em Rawalpindi, cidade próxima à capital Islamabad. Ela pôs o corpo para fora de seu carro blindado, pelo teto-solar, para acenar aos simpatizantes. Um terrorista primeiro disparou em sua direção e depois detonou os explosivos que carregava consigo, segundo a polícia e testemunhas. A explosão deixou ao menos outras 20 pessoas mortas e mais de cem feridas.

As causas da morte de Bhutto ainda são controversas. Um de seus porta-vozes afirmou à France Presse neste sábado que a ex-premiê foi de fato atingida por uma bala na cabeça. Desde sua morte, surgiram informações de que ela teria sido morta por fragmentos de explosivos. Outra hipótese, divulgada ontem, dava conta de que Bhutto morrera ao bater contra o teto solar do carro.

Eleições

A ex-premiê estava em plena campanha eleitoral quando foi morta. De acordo com as últimas pesquisas, ela era candidata favorita nas eleições marcadas para o dia 8 de janeiro.

Após a morte de Bhutto, porém, o calendário eleitoral ficou comprometido. A Comissão Eleitoral do Paquistão convocou neste sábado uma reunião de emergência para a próxima segunda-feira (31) com o objetivo de avaliar o impacto da morte de Bhutto sobre o processo eleitoral. As eleições são consideradas um passo decisivo do Paquistão em direção à democracia.

Desde a morte de Bhutto, uma onda de violência tem se espalhado pelo país. Neste sábado, ao menos 10 mil pessoas manifestaram-se contra o governo do ditador Pervez Musharraf em Lahore (leste). Os protestos seguem o clima de tensão vivido no país.

Entre quinta e sexta-feira, ao menos 23 pessoas morreram durante os distúrbios no Paquistão. Ontem, um ataque a bomba matou quatro pessoas no noroeste do país, entre elas um político do partido que apóia Musharraf, informou a polícia.

Fonte: Folha Online

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