Bolsas em NY sobem, mas com avanço menor após Bernanke
As Bolsas americanas mantiveram o desempenho positivo nesta sexta-feira após o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), Ben Bernanke, mas perderam algum terreno, com a declaração de Bernanke de que o quadro de crise do mercado imobiliário pode sofrer nova deterioração.
Às 12h04 (em BrasÃlia), a Bolsa de Valores de Nova York estava em alta de 0,70%, com 13.330,75 pontos no Ãndice Dow Jones Industrial Average (DJIA), enquanto o S&P subia 0,79%, para 1.469,17 pontos. A Bolsa Nasdaq subia 0,83%, para 2.586,53 pontos. Pela manhã, logo após a abertura –e antes da fala de Bernanke–, os Ãndices estavam mais próximos de 1%.
Bernanke disse que o Fed “continua de prontidão para tomar medidas adicionais” para reforçar a liquidez (oferta de dinheiro) no sistema bancário e “agirá na medida do necessário para limitar os efeitos adversos na economia como um todo, que possam surgir das turbulências nos mercados financeiros”.
Ele afirmou ainda que “os desenvolvimentos nos mercados financeiros podem ter amplos efeitos econômicos, sentidos por muitos fora do mercado, e o Federal Reserve tem de levar esses efeitos em conta ao determinar sua polÃtica monetária”. A declaração foi vista pelos investidores como um sinal de que o banco pode colocar em foco, ao lado de suas preocupações com a inflação, a atual crise.
A afirmação se distancia um pouco da posição que o Fed vinha sustentando até a reunião deste mês, quando afirmou que “a preocupação predominante” continua a ser o risco de uma alta mais acentuada da inflação.
Bernanke não deixou de lembrar, no entanto, que se “o aperto aperto maior nas condições de crédito” for mantido, “pode aumentar o risco de que a atual fraqueza no mercado imobiliário possa ser mais longa e profunda que o esperado anteriormente, com possÃveis efeitos adversos sobre os gastos do consumidor e a economia em geral”.
Mesmo ao destacar o cenário pouco positivo para o mercado imobiliário, os ganhos em Nova York se mantiveram, apoiados na expectativa pelo anúncio do governo americano de um plano de ajuda para as famÃlias com problemas de pagamentos das hipotecas de risco e com a divulgação de indicadores positivos de inflação.
O Ãndice de preços atrelado à leitura dos gastos do consumidor americano em julho teve alta de 0,1% na comparação com junho (quando a alta havia sido de 0,2% em relação ao mês anterior). O núcleo do Ãndice –que exclui os preços de alimentos e energia– também subiu 0,1% (contra uma alta também de 0,2% em relação ao mês anterior).
Na comparação com julho do ano passado, o Ãndice geral de preços teve alta de 2,1%, abaixo dos 2,3% de junho na mesma comparação, e o núcleo subiu 1,9%, contra o mesmo Ãndice em junho. O núcleo ficou, assim, próximo à expectativa do Fed, que considera adequada um variação de 1% a 2%.
Os Ãndices animaram os investidores a esperar um corte do Fed na taxa básica de juros (a dos fundos federais, hoje em 5,25% ao ano), principal da polÃtica monetária americana e que influencia diretamente os financiamentos ao setor produtivo.
Fonte: Folha Online


